Combater altos custos é essencial para o futuro dos planos de saúde

Os custos com planos de saúde, que sofrem reajustes médios anuais de cerca de 10,9%, podem ameaçar a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar no longo prazo. O financiamento desse sistema, que atende 47 milhões de pessoas, custa atualmente à sociedade R$198 bilhões. Os planos coletivos empresariais são responsáveis por 70% desse investimento. A situação é agravada pelo fato de que esse valor expressivo não necessariamente reflete a melhoria na qualidade dos serviços.

Na visão das empresas contratantes de planos de saúde que integram o Grupo de Trabalho em Saúde Suplementar, coordenado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), são quatro os principais motivos para essa forte alta nas despesas com planos. O primeiro é a deficiência na assistência preventiva. O segundo é que a lógica de remuneração dos prestadores de serviço é baseada no número de procedimentos executados, e não no resultado obtido no tratamento dos pacientes. O terceiro é a adição de tecnologias ao rol de procedimentos mínimos a serem providos pelos planos de saúde, sem a devida análise de relação entre a efetividade da tecnologia e o custo da sua incorporação. O quarto problema identificado é a dificuldade de acesso aos dados agregados de saúde dos beneficiários.

Para Emmanuel Lacerda, gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria do Sesi, o cerne da questão está em melhorar a transparência, a integração e a qualidade das informações sobre o uso dos planos de saúde. A partir daí, será possível melhorar o atendimento aos pacientes e ao mesmo tempo combater desperdícios, desvios e uso indiscriminado do benefício. “São torneiras que precisam ser fechadas para aumentarmos o controle dos custos do setor”, completa Lacerda.

Para apresentar propostas que podem combater a alta dos gastos e direcionar as estratégias do setor, a CNI preparou no ano passado uma agenda para aumentar a competitividade da indústria e do Brasil e para elevar o bem-estar da população ao nível de países desenvolvidos. No setor de saúde suplementar, o relatório apresenta as deficiências que fazem com que o setor privado assuma parte da responsabilidade na promoção, prevenção e recuperação da saúde dos brasileiros.

Cooperação

O Grupo de Trabalho em Saúde Suplementar é exemplo do esforço das indústrias nesse sentido. Criado há dois anos, conta com 68 grandes empresas que têm quase 3 milhões de beneficiários de planos de saúde. O objetivo é estimular a cooperação entre empresas para construir propostas de políticas públicas e permitir trocas de experiências para otimizar custos e aprimorar a gestão de saúde pelas empresas.

Para Fernando Mariya, gerente médico Brasil da Procter & Gamble (P&G), uma das empresas que integram o grupo coordenado pelo Sesi e pela CNI, um dos principais avanços que a iniciativa trouxe foi um maior protagonismo das empresas contratantes em um diálogo aberto com governo, operadoras, e prestadores de serviços de saúde. “Esperamos que todos os atores do setor trabalhem como parceiros e tragam ideias e soluções para que as pessoas se mantenham saudáveis”, destaca. “É importante lembrar que hoje estamos em busca de qualidade e resolutividade.”

Fonte: Jornal Estadão

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